No Rio de Janeiro do século 19, então a capital econômica e cultural do Brasil, os músicos populares da cidade (os chamados “chorões”) executavam à sua maneira o repertório que estava na moda nos bailes da elite carioca. Pouco a pouco, danças européias como a valsa, o scottish e a polca recebiam assim a influência de ritmos muito populares de origem africana, como o lundu e o maxixe, e dessa mistura nasceu o Choro.
Naquela época, “Choro” se refería somente ao modo característico de execução dos conjuntos de “chorões”, cuja formação era basicamente flauta, violão e cavaquinho.
Choro: o gênero musical
O gênero musical Choro apareceu anos mais tarde, “significando uma peça constituída com figurações da polca e do schottisch, mesclada a sincopados afro-brasileiros”, segundo ensina Luiz Otávio Braga, professor da Uni-Rio e um dos mais importantes didatas de Choro da atualidade.
Ao contrário da maioria dos gêneros populares, o Choro sempre se caracterizou como uma rica e sofisticada música instrumental, de interpretação muito livre, e que oferece tanto aos solistas como aos acompanhadores um campo aberto para expressar-se e para tocar com criatividade.
Rodas de Choro
A manifestação mais característica entre os chorões sem dúvida são as Rodas de Choro, ocasiões geralmente informais em que os músicos se reúnem para tocar. Às vezes alguns deles nem se conhecem, mas a amizade musical é tão forte que, ao iniciar a Roda, é como se tocassem juntos há anos.
Dia do Choro, Dia de Pixinguinha
Já há alguns anos, o dia 23 de abril é oficialmente o Dia do Choro no Brasil, ocasião em que são organizadas diversas comemorações musicais e concorridas Rodas de Choro em todo o país. Essa data foi escolhida por ser o aniversário de Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha (1897-1973), flautista, saxofonista e compositor, que indiscutivelmente é o nome mais importante do Choro em todos os tempos.
O Choro fora do Brasil
O Choro nasceu no Rio de Janeiro e chegou rapidamente a todo o país, e sem dúvidas hoje é a música instrumental brasileira de maior destaque. Hoje tem uma importante presença também fora do Brasil, pois em inúmeros países existem conjuntos de Choro, concertos e Rodas. Na cidade de Turim, importante centro cultural do norte da Itália, o duo Choro na Manga – formado pelo bandolinista brasileiro Marco Ruviaro e pelo violonista italiano Fabrizio Forte – faz a sua parte, contribuindo para a divulgação do Choro no Velho Continente.